As gravações do n-video (enemenosvideo) marcam um ciclo de quase cinco anos de existência do duo N-1 formado por Alexandre Fenerich e Giuliano Obici. O disco reúne alguns trabalhos originalmente criados para ver-ouvir que adquirem aqui uma outra configuração.


Na ausência da imagem, as peças se transformam num duplo sonoro, uma espécie de per-sonificação mnenônica da visualidade, da tactilidade e da gestualidade explorado pelo duo  durante as performances. Este álbum torna-se uma concha de zunidos que ecoa movimentos e traços das apresentações ao vivo, resquícios de uma memória visual-tátil.


Dado tal particularidade, o processo de gravação foi realizado em duas etapas: 1) registro apenas do áudio, 2) gravação do áudio simultâneo a performance áudio-visual. A primeira parte da gravação, foi realizada no Laboratório de Música e Informática (LAMI) da Universidade de São Paulo (USP) com o auxílio técnico de Pedro Paulo Kohler. Na segunda etapa, realizada nos galpões da Escola de Arte Dramática da USP, o duo contou com o auxílio de Rafael Farzão no registro de imagens, e a gravação do áudio ocorreu simultâneamente a execução da  performance com projeção.


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Surfing on Turntables é uma peça audiovisual para 4 vitrolas, 4 câmeras de video, 4 quatro discos preparados da Primeira Sinfonia de Mahler e cenas do filme o Homem que sabia de mais de Alfred Hichckok.


Cada disco foi preparado com pequenos objetos (fitas, botões, parafusos, anéis, argolas) fixados em posições diferentes da superfície do vinil, formando cada qual uma configuração de interferências no material gravado. A peça musical ressalta as particularidades sonoras (textura, rotação, atrito da agulha, ruído, grão) características dos diferentes modelos de vitrola portátil.


Na versão ao vivo, os gestos dos músicos manipulando os vinis são capturados há sobre cada vitrola uma câmara que capta a imagem do disco girando e. Junto as imagens ao vivo são inseridos cenas extraídas do filme de Hitchkock, em particular a cena do assassinato encoberto pelo tutti orquestral. A peça segue uma partitura que joga com três ápices distintos: 1) clímax do filme de Hitchkock com o tiro que mataria o embaixador, 2) clímax na sinfonia de Mahler com o tutti orquestral do primeiro movimento coincidindo com a tensão tonal e a densidade da sinfônica, e 3) o clímax dado pelos músicos em performance. A peça termina quando os três ápices se fundem, dissolvendo logo em seguida numa cena de repetição estática.


Na versão em disco, quatro tomadas de som das quatro vitrolas sendo tocadas simultaneamente foram sobrepostas. Duas destas gravações são da “performance” sem intervenção alguma. Numa outra gravação inseriu-se nas quatro agulhas objetos como botões de camisa, lixas e outros pequenos objetos metálicos. Uma quarta gravação foi  feita a partir de uma improvisação em quatro interruptores que ligavam e desligavam as vitrolas.  A composição musical consistiu em desbastar as arestas desta audição simultânea.


Marulho Oceânico é uma homenagem ao poema "Barco Bêbado", de Rimbaud explorando sonora e imageticamente aspectos como imensidão, imersão, ruído, movimentos e ondulações, bem como azul tendo como temática o mar. A peça vem adquirindo versões diferentes durante a trajetória do duo. A primeira versão, sem imagem, foi registrada no disco Jardim das Gambiarras Chinesas 2009. A segunda versão, explorando imagens e sons abstratos, numa variação mínima conduzida pelos músicos em performance ao vivo.

Neste CD o duo realiza a terceira versão, utilizando a improvisação vocal como parâmetro de um filtro para modular o ruído a partir do atrito da agulha num vinil não-gravado. Os parciais da voz são analisados a partir de um patch em Pure Data, que conectado com um script no programa Csound, controla parâmetros de síntese granular. Os sons emergem como pequenos traços melódicos adicionados aos acordes filtrados pelos parciais da voz. A performance que apresentamos aqui foi gravada em performance ao vivo.


Rua de Lágrimas foi criada a partir da trilha composta pelo duo para o filme mudo Die Freudlose Gasse (Rua das Lágrimas  de Georg Wilhelm Pabst  (1925). Nesta faixa, N-1 faz uma composição com os elementos criados e elaborados para acompanhar o filme de Pabst apresentado durante a IV Jornada de Cinema Silencioso em 2010. Tendo o filme como partitura visual e seguindo algumas anotações, a gravação buscou reconstituir aspectos do seting especialmente criado para o acompanhamento do filme.


A obra foi dividida em 9 movimentos, baseados em momentos ou personagens do filme, como segue:


1. Abertura

2. O casal

3. O escritório

4-5 Solilóquio e O inferno.

6. O Escriba

7. A Cidade

8. Ecos do Caos

9. Solilóquio Final


FICHA TÉCNICA:


Gravações: Estúdio do Lami (Laboratório de Acústica Musical e Informática - USP), sede do Ibrasotope (SP), Parque Lage (RJ).

Técnicos de gravação: Pedro Paulo (Lami), Gugu (RJ).

Técnico de vídeo: Rafael Frazão

Edição e mixagem: Alexandre Fenerich 

Vídeos: Giuliano Obici


Este álbum é parte do projeto Limiares

n-video


    
                  
   
   
                 



 


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foto - Rafael Frazão

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