atalhos à leitura


1 - Prelúdio, contextualização inacabada acerca dos dispositivos sonoros para pensarmos como o desenvolvimento tecnológico transformou e vem moldando escutas desde seu surgimento, relacionado às estratégias de poder que envolvem as mídias sonoras. Capítulos 1 e 2 apresentam concepções de autores oriundos da música. O interlocutor inicial é Pierre Schaeffer, inventor da música concreta, que apresentará o ouvido como instrumento. Antes dele o tema da escuta ocupava um lugar acessório no plano musical, colocará em questão a dimensão subjetiva e objetiva da escuta sem jamais separa-lá da produção sonora.


2 - No Capítulo 2 uma revisão das propostas do compositor canadense Muray Schafer e sua preocupação em preservar a escuta com a proposta de uma ecologia sonora. Nele se discutem aspectos entre espaço e som, como o excesso de ruído causado pela presença intensa das máquinas no cotidiano, bem como a busca por construir paisagens sonoras saudáveis e harmoniosas.


3 - Interlúdio, apropriação do conto "Un re in ascolto", de Italo Calvino (1923-1985), escrito durante os anos de interlocução com o compositor italiano Luciano Bério (1925-2003), que compôs em 1983 uma ópera homônima. O conto nos possibilita viver um pouco o drama de um rei que perde o controle de si e de seu reino a partir de sua escuta. Seria, quem sabe, uma situação próxima à qual se encontra nossa escuta atualmente frente aos apelos sonoros que nos cercam.


4 - Gilles Deleuze e Félix Guattari são os interlocutores do Capítulo 3 para pensar a sonoridade como delimitadora de território, produtora de subjetividade, posse, domínio, marcas, estilo, mais-valia e transformação incorpórea, entre outros aspectos. Um revisão atenta do texto "Acerca do Ritornelo" e concepção musical e sonora apresentada pelos autores.


5 - O Capítulo 4 aborda o tema escuta e poder a partir de Michel Foucault, Deleuze e Guattari. Revisão das três tecnologias de poder que Foucault apresenta: soberania, disciplinar e controle. O intuito será pensar a disciplina e o controle no contexto das mídias sonoras, partindo do Panóptico, dispositivo de vigilância do olhar, desdobrando algumas idéias, a partir da tecnologia de áudio, para cartografar versões no plano do sonoro. Uma breve articulação sobre a compilação e compartilhamento de arquivos de áudio a partir do mp3 e cibercultura com Pierre Levy e Paul Virilio. Além disso, as noções de poder e potência, bem como as de biopolítica e biopotência em Foucault, Deleuze e Toni Negri, aparecem para apontar aspectos da condição da escuta.


6 - Na Conclusão e no Interlúdio a proposta é imaginar o futuro da escuta, propondo possíveis aberturas pela necessidade de criação e enfrentamento que o sonoro nos coloca. O desafio é pensar práticas que começam a brotar apenas depois de um período de reflexão e escuta. Alguns esboços para construir máquinas sonoras de guerra, fazer ficção sonora ou ainda "clínica da escuta", a ponto de, quem sabe, destravar potências do sonoro que estão por aí. Teríamos ouvidos para isso?

condição da escuta: mídias e territórios sonoros

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