trecho prefácio de Peter Pál Pelbart


Uma sobriedade com o ruído para "não espantar os devires sonoros", a seletividade necessária para preservar a possibilidade de continuar sendo afetado pelos sons, etc. . Em todo caso, há uma cláusula difícil de sustentar, mas que atravessa esse estudo como um todo, qual seja, a de encontrar um lugar de análise "sem fatalismo nem deslumbramento", tentando captar qual a "biopotência da escuta", "como criar corpos-orelhas maquíncas que possam restituir nossa sensibilidade auditiva, tirando-nos do estado anestésico e de entorpe cimento ao qual nossos ouvidos estão submetidos". Politizar a escuta sem torná-la paranóica, sem moralizar ou diabolizar os sons da cidade, das máquinas, dos equipamentos eletrônicos e da mídia, mesmo quando se detecta a militarização da dimensão sensível do audível.


Em suma, o leitor tem em mãos uma cartografia rica e bem sucedida do tema em questão, propondo até uma clínica da escuta, no sentido mais amplo da expressão. É um programa sugestivo, que também poderia ser formulado, na esteira de Guattari, como uma ecologia da escuta. Se a escuta é um problema político, biopolítico, ecológico, clínico, a edição deste livro se justifica plenamente, tanto para aqueles que se preocupam com os rumos da pervasividade capitalística, como para aqueles que, em meio ao fervilhamento contemporâneo, perscrutam e experimentam, no campo artístico e social, novos meios de expressão e agenciamentos sonoros inesperados.

condição da escuta: mídias e territórios sonoros

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